Comunicação Pública de Conteúdos Complexos (CPCC)
Um modelo estruturado para transformar complexidade científica em decisão pública.
A Comunicação Pública de Conteúdos Complexos (CPCC) é um modelo estruturado de análise e organização da comunicação pública da ciência.
Foi concebido para enfrentar um dos principais desafios contemporâneos: a distância entre a produção de conhecimento complexo e sua circulação estratégica na vida pública.
Mais do que técnica de linguagem, a CPCC constitui uma arquitetura conceitual que organiza, mede e orienta a transformação da informação científica em decisão, política pública e impacto social.
A lacuna entre ciência e decisão
A ciência produz conhecimento sofisticado, validado e de alta complexidade.
O que falha, frequentemente, não é a produção; é a circulação.
Grande parte da informação científica:
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não é compreendida pelo público adequado,
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não é contextualizada de forma estratégica,
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não é aplicada na tomada de decisão,
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ou é apropriada de maneira distorcida.
Essa ruptura gera perda de relevância pública, fragilidade institucional e vulnerabilidade à desinformação.
A CPCC nasce como resposta estruturada a essa lacuna.
A CPCC como arquitetura de circulação
A CPCC parte de um princípio central:
Complexidade não se simplifica; se reorganiza.
O modelo estrutura a comunicação pública a partir de cinco eixos fundamentais:
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Reconhecimento do grau de complexidade do conteúdo
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Mapeamento da relevância contextual
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Identificação de omissões críticas
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Adequação estrutural ao público-alvo
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Direcionamento estratégico à decisão
A comunicação deixa de ser mera transmissão e passa a operar como engenharia da circulação do conhecimento.
Leis e teoremas
A CPCC se sustenta sobre princípios estruturais que explicam o comportamento da comunicação pública de conteúdos complexos.
Primeira Lei — Princípio da Perda de Comunicação Inevitável
Nenhum processo de comunicação complexa é isento de perda.
A informação recebida será sempre inferior à informação originalmente pretendida.
P = ME − MR
Onde:
ME = Mensagem pretendida
MR = Mensagem recebida
Teorema do Leitor Inexistente
Não existe público genérico.
À medida que o número de receptores aumenta, diminui a porcentagem de conteúdo que pode ser integralmente compreendida por todos.
A adequação estrutural é condição para eficiência comunicacional.
Segunda Lei — Princípio dos Textos Crescentes
O comprimento mínimo necessário para a compreensão de um conteúdo é inversamente proporcional ao grau de conhecimento contextual do receptor.
L = f(1/CR)
Onde:
CR = conhecimento contextual do receptor.
Mensuração e estrutura analíticas
A CPCC admite formalização matemática e modelagem estratégica.
Isso permite:
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Estimar perda de conteúdo
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Simular adequação contextual
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Modelar dispersão cognitiva
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Avaliar eficiência comunicacional
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Construir métricas aplicáveis
A formalização do modelo é desenvolvida e aprimorada no núcleo de pesquisa da Comunicar Ciência.
Ferramentas aplicadas
A partir da arquitetura da CPCC, foram desenvolvidos instrumentos analíticos e metodológicos que permitem aplicação prática do modelo.
Entre eles:
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MAR — Mapa de Atribuição de Relevância
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IO — Índice de Omissão
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TC Score — Indicador de Adequação Contextual
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Curva de Perda de Conteúdo (CPC)
Esses instrumentos transformam princípios estruturais em ferramentas operacionais.
Onde a CPCC é aplicada
A CPCC pode ser aplicada em contextos como:
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Políticas públicas
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Relatórios técnicos
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Projetos científicos
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Comunicação institucional
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Educação científica
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Jornalismo especializado
Seu objetivo é reduzir ruído, aumentar eficiência informacional e ampliar a capacidade de decisão baseada em evidência.
Infraestrutura intelectual para a circulação pública do conhecimento
A CPCC não é apenas um modelo de comunicação. É uma infraestrutura conceitual destinada a estruturar a relação entre ciência, sociedade e decisão pública.
